Há uns 15 anos atrás, ainda no colégio, o professor passava uma pesquisa para casa e nós, alunos, íamos às famosas enciclopédias Barsa, Britânica, Delta Larouse, dentre outras, fazer o trabalho para nota. Consultávamos nossos ascendentes, recorríamos ao próprio professor muitas vezes pois a pesquisa estava complicada.
Hoje, deparo-me com um termo que as enciclopédias nem imaginariam que fosse existir: Web 2.0. Aí pergunto: e será que, ao menos, o termo internet, chegou a constar? Não posso responder! As enciclopédias de família foram doadas para instituições de caridade. Devem estar ajudando muitas crianças carentes a estudar história…
É a evolução da comunicação e da tecnologia digital. É a internet globalizando o mundo e costurando mercados. Um ponto mal-traçado e todo o sistema pode vir a bancarrota.
Evoluímos, e não sei nem se notamos, de uma internet via de mão-única “internauta-home-page” para uma internet colaborativa, onde os próprios internautas constroem os aplicativos entre si, é o que chamamos de P2P (peer-to-peer) ou “usuário-a-usuário”. Explico: comumente utilizamos a net para consultar notícias, endereços, ver o clima, estudar alguma informação publicada, mandar emails, etc. Essa internet era sustentada em uma plataforma externa, um servidor, um computador, que guardava essas informações e permitia ao usuário consulta-las.
Atualmente, a Web 2.0 permite ao usuário não só consultar mas, principalmente, interagir com outros usuários e expressar opiniões – internet colaborativa. Aqui, cada usuário é um servidor de arquivos e esses são trocados constantemente entre eles. A internet passou a rodar em uma plataforma própria que é ela mesma.
O conceito de softwares vendidos em lojas cai das prateleiras. Surge os “softwares livres”, estes estão agora “soltos” pela internet, nas nuvens, como utilizam alguns autores. Não são mais comprados e instalados no computador, não dependem mais de um sistema operacional para serem rodados. Se antigamente comprávamos o SimCity, e suas versões semestralmente atualizadas, hoje temos, na internet, o Second Life. Se antes comprávamos a enciclopédia Encarta da Microsoft, hoje temos o Wikipedia, gratuito e em constante desenvolvimento pelos próprios usuários. Programas de mapas foram suplantados pelo Google Maps, Mapquest, dentre outros. Esses softwares agora não são mais produtos concretos, são serviços, alguns gratuitos, alguns com taxas mensais. Aqui surge também o conceito de “beta perpétuo”, ou seja, os programas não necessitam mais de atualizações manuais, eles são auto-corrigidos, atualizados, alterados e melhorados. Muitas vezes o usuário nem toma conhecimento da melhoria automaticamente baixada.
A Web 2.0 é, acima de tudo, fruto da inteligência coletiva e usufruto dos próprios internautas. Os aplicativos, Wikipedia como exemplo, aproveitam os milhares de usuários para tornarem-se melhores quanto mais utilizações forem feitas. Um outro bom exemplo, que nos ajuda a compreender esse novo conceito, são os programas de baixar arquivos. Quanto mais pessoas conectadas no aplicativo, maior a quantidade de servidores disponíveis, portanto, mais fácil e rápido o downloader poderá conseguir o arquivo procurado, no caso uma música, um filme, um programa, etc.
Tirando proveito da inteligência coletiva, a Web 2.0 revolucionou os blogs com seus permalinks, ou seja, as pontes criadas por blogueiros com links de interesses comuns. Eles captalizam as informações como uma espécie de filtro e divulgam-na com maior precisão e rapidez que as mídias usuais.
A internet não tem limites, se antes dizíamos que a única noção de infinito eram as dízimas periódicas e o Universo, hoje, podemos acrescentar a esse verbete a internet. Mas não a internet nos moldes de sete anos atrás. A Web 2.0 foi quem possibilitou a internet colaborativa e esses zilhões de informações acrescidas diariamente pelos usuários. Segundo a Discovery Magazine, de todas as informações trocadas na net, 9% corresponde a emails e 75% correspondem a trocas de arquivos.
