Publicado por: blogjormiguel | Novembro 12, 2008

Second Life – o mundo virtual não é brincadeira

Será necessário nos escondermos entre quatro paredes para fugir de nossos problemas diários e dos perigos que assolam o mundo exterior? Essa não é nenhuma campanha de marketing mas é assim que alguns viciados em jogos virtuais tem se comportado nos últimos anos.

Sou da época do Atari, o avô, ou bisavô, do vídeo-game. Antes dele não lembro de nada parecido. Totalmente sem recursos, também comparando com “o hoje” é covardia. Sim, mas ficávamos um pouquinho, uma tarde, talvez, na frente da televisão comendo os inimigos virtuais (será que já existia a palavra virtual?), refiro-me ao jogo “Packman” – um dos maiores sucessos da indústria de games. Depois vieram os Segas, Magadrives, Nitendos, Game boys, cada vez mais traziam diferentes recursos e, gradativamente, escutávamos as mães reclamarem que seus filhos não saíam mais da frente dos televisores. Eu, cedo enjoei desses joguinhos, preferia esportes – interação de verdade.

Interação de verdade? É nesse o ponto que queremos chegar.

Demos um salto de anos, mas talvez, em termos de evolução tecnológica, de décadas, e chegamos a era da internet, computadores abarrotados de recursos e, finalmente, jogos interativos. 

Em 2003 surge o Second Life e não conseguimos definir direito exatamente o que seria isso. Alguns o classificam como jogo 3D, outros como um mero simulador, uma rede social ou mesmo mais uma forma de fazer comérico on-line. Uma vez munido do seu avatar, ou personagem, você pode fazer (quase) tudo dentro dessa realidade virtual: dançar, paquerar, conversar, construir, fazer amigos ao redor do mundo inteiro, ganhar dinheiro, comprar…

Dentro dessa outra realidade, o lado psicológico tem peso majoritário dentro da vida-real do personagem. Muitos jogadores podem ser pobres, feios, banguelas mas dentro do jogo são sarados, bonitos, corpos bronzeados, roupas legais. O avatar pode ser um empresário, ter dez empregados, uma boa casa com carro na garagem, adquiridos através de esforços (ou dicas de jogo) e, na vida real, ser um fracassado.. 

Um avatar pode, ainda, voar, se tele-transportar e conhecer mega cidades como Nova Iorque, Paris e Londres. Enquanto na realidade não possuem dinheiro para freqüentar uma escola digna. Sem falar do perigo que assola nossas ruas enquanto no Second Life não existe criminalidade, nem morte.
Esse pode ser um dos motivos que levam muitos a se trancafiarem dentro de seus mundos terrenos, a decepção com a realidade. E daí se transformar em um problema mais grave como um transtorno comportamental ou mesmo a depressão.

Dinheiro também existe dentro do jogo, se chama Linden Dollar, e assim como no mundo real, você precisa gastar para ter algo bom. Assim como, para tristeza de muitos, também precisa trabalhar e ralar para ganhar algum. Se você é marinheiro de primeira viagem então vai sofrer bastante para conseguir seus primeiros Lindens.

Um grande problema no Second Life, assim como nos sites de relacionamento, é que podem existir crianças, adolescentes que mentem suas idades e acabam expostos a um mundo adulto onde podem rolar convites de paquera, encontros casuais, oferta de drogas e sexo. Uma rede de investigação belga investiga pedofilia e estupro dentro desse mundo.

Assim como tudo que tem muita gente tem alguém tentando lucrar, praticamente todas as grandes corporações já têm suas filiais dentro do jogo, podem não ganhar dinheiro diretamente, mas ganham na publicidade. E como ganham.

Muitos críticos, a mídia também, combatem esse sistema computacional, mas boas e bem intencionadas cabeças estão tentando levar o melhor do Second Life para todos os usuários e interessados. Começa a surgir Universidades, escolas de línguas, cursos a distância baseados na realidade virtual.

O grande lance é não esquecer que, acima de tudo, isso é apenas um jogo, e um mundo lá fora continua a rodar com suas 24 horas por dia, nem mais nem menos. Por que você estava em um outro mundo, esse aqui não mudou. Por que você fez esteira virtual em uma academia no Second Life, não eliminou suas gordurinhas reais. Não trocar a realidade pela fantasia fingindo que são mais felizes não resolve nem te faz mais tranqüila, as reações e sintomas do vício aparecem com o tempo.


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